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Fórum Mistério Juvenil Grupo dos amigos do Mistério Juvenil
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anabreu

Joined: 21 May 2006 Posts: 2867 Location: Porto
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Posted: Fri Jun 22, 2007 10:44 am Post subject: Loja Margaridense - a quem é do Porto |
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Pois no outro dia, lá ía eu toda atarefada pela Travessa de Cedofeita acima, ao alfarrabista "Livraria Lumiére", quando de repente dei pela falta do pão de ló...
É verdade, a loja Margaridense fechou, e o queixo caiu-me alí mesmo. Era daquelas coisas que tinha como certas, e afinal...
Depois caí então em mim. Se calhar fechou por minha causa, e por causa de pessoas como eu, que gostavam, gostavam, mas raramente lá punham os pés... sinto-me culpada, e infinitamente triste.
Devia haver alguma instituição pública que fizesse algo em relação a isto (a câmara?), digo eu, e se calhar em relação a tantos outros casos similares. Com certeza que a manutenção não ficaria assim tão cara, e os contribuintes tripeiros agradeciam, já que vêm o seu dinheiro tão mal gasto em milhentas outras coisas. Eu pelo menos agradecia.
http://www.flickr.com/photos/aurorea/516459778
Estas lojas não deviam fechar ...ainda que existam muitas pessoas como eu. Agora a minha pipoquinha nunca a irá conhecer, e isso entristece-me a alma. Tenho-lhe comprado muita coisa "vintage" no ebay. Recordações da minha infância, que com toda a certeza ela virá a apreciar tanto como eu... mas a Margaridense não está à venda no ebay, esse pedaçinho da nossa e da minha história, desapareceu. |
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Alguem
Joined: 11 Apr 2006 Posts: 2137 Location: Porto
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Posted: Fri Jun 22, 2007 9:09 pm Post subject: |
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Pois é, Ana, parece impossível, mas aconteceu.
Neste caso concreto, todos acabamos por ter um pouco de culpa...
Porém, a cidade desidentifica-se, lamentavelmente:
Esmorecem aos poucos as típicas referências deste velho burgo, imagens, recantos, tradições...
Atraiçoam e destroem todos os dias a nossa memória colectiva de portuenses, bem como a de todos aqueles que um dia se deixaram perder de amores por esta cidade...
BASTA!!! |
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misterio Site Admin

Joined: 17 Oct 2005 Posts: 2816 Location: Porto - Portugal
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Posted: Sat Jun 23, 2007 2:35 am Post subject: |
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Tenho algumas recordações desta loja, quando, em pequeno, fazia as minhas caminhadas da Boavista até à Baixa e ao passar pela Margaridense entrava para comprar um cubinho de marmelada e lá ia eu a saborear esse pecado muito calmamente pois tinha que durar até eu chegar aos Aliados.
Conheço uma das cozinheiras que faz a marmelada para esta tradicional casa, na época do marmelo. Apesar de as portas estarem fechadas ela continua a laborar, e que grande ideia que a Ana deu, seria interessante colocar aqui algumas imagens acerca desta casa e porque não falar um pouco dela.
Last edited by misterio on Sun Jun 24, 2007 3:10 am; edited 1 time in total |
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Alguem
Joined: 11 Apr 2006 Posts: 2137 Location: Porto
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Posted: Sat Jun 23, 2007 12:41 pm Post subject: |
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Era um dos locais onde se vendia um dos melhores pães-de-ló na cidade, uma marmelada de sonho e uns espantosos copinhos de geleia, qual néctar dos deuses.
Ali, mesmo no centro, numa travessa estreita e sombria, e no entanto ignorada por tanta gente, que fervilhantemente calcorreia a rua de Cedofeita, a poucos metros da Margaridense. Sempre gostei desta travessazinha, é como penetrar subitamente num recanto pacato de uma simpática vila do nosso País, e esquecer o bulício, o barulho e a poluição da Baixa. Aliás, esta zona do Porto, mais ou menos entre Cedofeita e Mártires da Liberdade, tem ainda, felizmente, alguns recantos destes: Coronel Pacheco, a rua do Mirante (onde durante 40 anos viveram os meus avós paternos e depois alguns tios), a rua do Pinheiro, etc.
Mas o interior da Margaridense fazia-nos recuar às típicas "vendas" que caracterizaram durante tanto tempo o Porto, antes da massificação dos supers e hipers. No entanto, estou como a Ana, apesar de ser uma das minhas lojas tradicionais de eleição, não ia lá muitas vezes...
Tenho muita pena que tudo vá, aos poucos, mergulhando no esquecimento... |
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anabreu

Joined: 21 May 2006 Posts: 2867 Location: Porto
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Posted: Sun Jun 24, 2007 4:56 pm Post subject: |
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Fico um pouco reconfortada por ver que não estou sozinha...
Procurei alguma informação sobre o fecho da loja, e outro motivo que "paira no ar" para o eventual encerramento, são as apertadas leis comunitárias - não sei se é verdade ou não, mas já me tinha passado pela cabeça que tudo o que seja de fabrico artesanal começa a ser complicado de comercializar...
Li que já nem se podia aquecer o forno com carquejeira... será que era mesmo?
Já me lembrei de alugar o espaço, tal foi a mágoa com que fiquei, mas para além de não ter jeitinho nenhum para o negócio, para a culinária muito menos, e não ia conseguir manter acesa a "chama mágina" que aquela casa tinha... Transformar numa loja mais "normal" de gourmet penso que também está fora de questão, pois já existe uma (muito boa parece-me), bem pertinho, ao cimo da mesma rua, onde era a antiga casa dos plásticos...
...e a pena perdura de cada vez que penso no assunto  |
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Alguem
Joined: 11 Apr 2006 Posts: 2137 Location: Porto
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Posted: Sun Jun 24, 2007 9:03 pm Post subject: |
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| anabreu wrote: | | (...) outro motivo que "paira no ar" para o eventual encerramento, são as apertadas leis comunitárias - não sei se é verdade ou não, mas já me tinha passado pela cabeça que tudo o que seja de fabrico artesanal começa a ser complicado de comercializar... |
Longe vão os tempos em podias vender sem receio, em feiras e romarias (ou outros pontos de venda), os teus doces caseiros, feitos com a maior higiene e a partir de matérias-primas de qualidade indesmentível, bastando a tua reputação imaculada como produtora/vendedora e a tua boa-fé...
Actualmente existem certificações de origem e de qualidade para tudo e mais alguma coisa (e ainda bem que assim é, em alguns casos), que não se compadecem com os pequenos produtores que não dispoem de arcaboiço financeiro para modernizar e certificar as suas linhas de produção e métodos de fabrico, mesmo recorrendo aos subsídios para tal, se existirem e houver suficiente e acessível informação.
É assim a lógica implacável da uniformização e da globalização comunitária que é traduzida na sua legislação, que em vez de conduzir para uma verdadeira Europa das Regiões, sublinhando a diferença e a pluralidade de contextos de igual para igual, nos empurra para uma Europa onde o identitário é cada vez mais subalternizado...
[Desculpem este desabafo que extravasa largamente o âmbito de discussão deste fórum, mas por vezes...] |
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