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Filme - Enid Blyton
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Manuela



Registrado em: 13 Set 2006
Mensagens: 1033

MensagemColocada: Qua Jul 01, 2009 11:10 am    Assunto: Filme - Enid Blyton Responder com Citação

Está a ser feito um filme sobre Enid Blyton. A nossa escritora favorita vai ser interpretada pela Helena Bonham Carter Laughing Gosto imenso desta actriz... O problema é quando é que o filme vai chegar a Portugal, se chegar Rolling Eyes
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Teark



Registrado em: 14 Ago 2007
Mensagens: 309
Local/Origem: Algures por Portugal, nem sei bem

MensagemColocada: Qua Jul 01, 2009 12:05 pm    Assunto: Responder com Citação

Ena isso é que é uma ÓPTIMA escolha para actriz principal!!! Very Happy

Fico à espera do dito filme!


PS: não apareceu o tradicional erro ao enviar a mensagem.
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misterio
Administrador


Registrado em: 17 Out 2005
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Local/Origem: Porto - Portugal

MensagemColocada: Qua Jul 01, 2009 4:29 pm    Assunto: Responder com Citação

O telefilme já foi rodado pela BBC 4 e apresentado no Enid Blyton Day onde estive presente e pude ver um pequeno excerto. Mas foi-nos impedido de tirar fotografias, o que foi pena.
Não deu para tirar uma conclusão do conteúdo, mas a nível de fotografia está muito bom.
A estreia está prevista para este Outono na BBC.


Apresentação do telefilme no Enid Blyton Day em Maio último



Rodagem do filme. - Imagem do Google images
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Arreda



Registrado em: 19 Jun 2009
Mensagens: 163
Local/Origem: Tomar

MensagemColocada: Qua Jul 01, 2009 9:03 pm    Assunto: Estou deserto para ver Responder com Citação

Boa noticia, assim que estrear ou sair em dvd vou ver/comprar.
Se alguem souber a data de saida agradeço a informação. Smile
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misterio
Administrador


Registrado em: 17 Out 2005
Mensagens: 1688
Local/Origem: Porto - Portugal

MensagemColocada: Qui Jul 02, 2009 4:12 am    Assunto: Responder com Citação

Provavelmente consigo uma cópia gravada da BBC, mas na altura eu digo.
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Al_Tereg



Registrado em: 02 Mar 2009
Mensagens: 639
Local/Origem: Faro

MensagemColocada: Qui Jan 21, 2010 11:40 am    Assunto: Enid Blyton, uma megera? Responder com Citação

Seria afinal a "nossa" Enid Blyton uma autêntica megera?
Pelo menos parece que é assim que ela é retratada num filme sobre a sua vida recentemente realizado e exibido pela BBC (2009), a avaliar pela apreciação que se segue do filme e que foi publicada numa newsletter de fãs da Enid Blyton.

Será verdade ou o filme reflectirá de alguma maneira algum do preconceito actual sobre a Enid? Eu comprei recentemente ao misterio uma biografia da EB, mas ainda não tive oportunidade de começar a ler. Contudo, fiquei ainda mais curioso para a ler e também para ver o referido filme.

Eis o texto a que me refiro, traduzido por mim:

«No outro dia assisti a "Enid" - um filme para Televisão transmitido pela BBC há pouco tempo. Mais alguém viu?

E enquanto assistia, e após o fim, perguntava-me a mim mesmo porque foi a Enid retratada como uma personagem tão odiosa. Deixou-me a pensar se seria de facto tão excêntrica e bizarra como é mostrada. A única explicação dada no filme para o seu carácter arrogante, vil e hipócrita é a sua infância turbulenta e o facto do pai ter abandonado a família quando ela era muito pequenina. E talvez também a sua ambição.

Além disso, senti-me de algum modo incomodado com a actriz que interpretou a Enid - Helena Bonham Carter. Não há um traço de semelhança com a Enid que conhecemos das fotografias. A Enid que conhecemos tem uma cara bondosa - enquanto Carter parece ser talhada para protagonizar um filme de bruxas - cara de má e lábios finos - um verdadeiro ar de vilã (com o devido respeito pela actriz).

Fiquei chocado quando vi (no filme) a Gillian e a Imogene (as duas filhas) não serem autorizadas a juntarem-se ao chá-festa com as crianças fãs. A expressão de desapontamento e tristeza nos olhos de Gillian e Imogene era notória. Também se subentendia o fingimento do amor de Enid pelas crianças em numerosas ocasiões. E o modo como ela maltrata Hugh Pollock, o seu antigo marido, é uma tristeza. É descoroçoante quando ele deixa a casa e se volta para dizer adeus às suas duas filhas. Apeteceu-me esbofetear a personagem da Enid em várias ocasiões. Poderá ser mesmo verdade - tudo aquilo que é retratado no filme? Se for, não vai transmitir grande imagem aos fãs da Enid.

Fiquei realmente desapontado com o que vi naquilo que é suposto retratar a vida pessoal de Enid - mas não quero acreditar! A Enid Blyton não pode ter sido tão má. Tal como ela diz a certa altura no filme: "Não sou uma má pessoa" - Eu preferia acreditar nisso.

Independentemente do que os outros digam, sinto que a Enid deve ter sido uma boa pessoa! Quem proporcionou a tanta gente tantos momentos felizes não pode ser assim tão má! Ámen!

Bikram
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misterio
Administrador


Registrado em: 17 Out 2005
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MensagemColocada: Qui Jan 21, 2010 2:44 pm    Assunto: Responder com Citação

Rui, penso que o quadro não é assim tão mau, eu ainda não vi o filme, mas li um livro escrito pela Imogen "Childhood in Green Hedges", que melhor retrata a vida da família de Blyton. É verdade que por vezes as crianças que brincavam na rua e faziam muito barulho a irritava enquanto trabalhava, também é verdade que foi uma mãe ausente. Também sabe-se que teve um relacionamento muito forte com uma amiga Dorothy, relacionamento esse segundo entendi pelas palavras de Imogen chegaria a ser mais do que uma simples amizade. Agora não era uma pessoa assim tão horrorosa como supostamente descreve o filme.
Imogen sempre foi critica em relação à mãe no aspecto famíliar, mas como já me disse pessoalmente ela era a sua mãe e gostava muito dela, Imogen e a sua irmã Gillian, recentemente falecida, ajudaram a fundar a Enid Blyton Society e são as patronas desta sociedade britânica e estiverem praticamente em todos os encontros anuais.



Editado pela última vez por misterio em Seg Jul 19, 2010 3:13 pm, num total de 1 vez
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Alguém



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MensagemColocada: Qui Jan 21, 2010 3:36 pm    Assunto: Responder com Citação

Há quem diga (e julgo que vi isto num dos fóruns/grupos de discussão sobre EB) que a relação entre mãe e filha retratada em Uma Aventura nas Férias (nº 15 da col. Aventura da Meridiano), estaria baseada no próprio relacionamento que EB teria com Imogen, o que, a ser verdade, não se poderá dizer que fosse "um mar de rosas"...
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Tim



Registrado em: 05 Jan 2007
Mensagens: 306

MensagemColocada: Qui Jan 21, 2010 5:50 pm    Assunto: Responder com Citação

Não li o livro escrito pela filha Imogen, mas a acreditar nas mensagens do Yahoogroup blyton, as relações entre elas eram muito frias e distantes, já que a Enid Blyton aparentemente passava o dia no seu estúdio a escrever e as filhas ficavam a cargo de amas. Imogen terá escrito em "A Childhood at Green Hedges" que durante alguns anos nem se apercebeu que aquela senhora no estúdio era a sua mãe! Pessoalmente julgo que se a Imogen escreveu isto acerca da sua falecida mãe, as relações entre elas devem ter sido mesmo muito más Sad
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Al_Tereg



Registrado em: 02 Mar 2009
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MensagemColocada: Qui Jan 21, 2010 7:05 pm    Assunto: Responder com Citação

Pelo que eu tenho estado a ler, o que algumas pessoas parecem queixar-se do filme é de ele dar uma imagem demasiado unidimensional da personalidade da EB - ou seja, de colocar a tónica nos aspectos menos positivos da escritora. Parece que realmente, ela não terá sido a mais afectuosa das mães e das esposas (particularmente em relação ao primeiro casamento) e que era demasiado obsessiva na sua actividade enquanto escritora - o que não será de estranhar para quem escreveu cerca de 700 livros!

Isso não quer dizer que ela, como toda a gente, não tenha aspectos positivos na sua personalidade. Se mais nenhum houvesse, os bons momentos que ela proporcionou a milhões de crianças por todo o mundo.

De qualquer forma, lendo esta entrevista com a actriz que interpretou o papel da Enid, nem dá ideia de que a intenção do filme seja dar essa imagem tão unidimensional assim. Curiosamente, ela chega a referir-se à EB como uma feminista, ideia singular para quem sempre a acusou do contrário por colocar sempre o protagonismo nos rapazes.
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Alguém



Registrado em: 11 Abr 2006
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MensagemColocada: Qui Jan 21, 2010 9:50 pm    Assunto: Responder com Citação

Al_Tereg escreveu:
Curiosamente, ela chega a referir-se à EB como uma feminista, ideia singular para quem sempre a acusou do contrário por colocar sempre o protagonismo nos rapazes.


Os livros dela mostram a típica atitude subserviente da mulher face ao homem, como aliás era norma na época. A única protagonista que demonstra um espírito independente é a Maria José (Georgina) , nos Cinco, que insiste em ser tratada por Zé (George), marcadamente querendo afastar-se do estereótipo feminino da altura.

Enid Blyton até se podia identificar com essa personagem, mas não se encontra nos seus livros um cunho indubitavelmente feminista. Porque não existe a mínima sugestão de crítica, o mínimo franzir de sobrolho, ao papel então desempenhado pelas mulheres. Para mim, EB (pelo menos nos seus livros) aceitava perfeitamente as coisas como elas eram.
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Popeye



Registrado em: 27 Jan 2008
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MensagemColocada: Qui Jan 21, 2010 10:46 pm    Assunto: Responder com Citação

O filme passou em UK, na TV ou em cinema?

Não estou admirado pelas coisas que se escrevem por ai, ser uma boa escritora infantil não invalida que tivesse comportamentos sociais discordantes dos enunciados nos livros.
Ao escrever 700 livros, facilmente entendo que conseguia isolar-se do mundo e viver um outro mundo, mas isto digo eu Razz Very Happy
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misterio
Administrador


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MensagemColocada: Sex Jan 22, 2010 7:21 am    Assunto: Responder com Citação

Foi um telefilme que passou o ano passado na BBC Channel 4.
Por norma Blyton escrevia de manhã, na realidade e ao longo da sua vida foi uma mãe ausente, como se poderá compreender. Para além dos 700 livros, Blyton escreveu integralmente para as 802 revistas Sunny Stories e 162 Enid Blyton's Magazine, respondia a todas as cartas que recebia, chegando a ser dezenas diáriamente, contribuia para outras publicações e tinha os seus clubes como o Famous Five Club, Enid Blyton Magazine Club, Sunbeams Club e o Busy Bee Club, para além de sessões de autógrafos, etc,etc. Com todas estas tarefas era muito provável que a família ficasse em segundo plano e que houvesse alguma tensão entre mãe e filhas.
Blyton também chegava a dar a ler às filhas algumas das histórias que estava ainda a escrever e saber a sua opinião.
Enid dedicou o livro "Seis Primos Numa Quinta" à sua filha Imogen, que a ajudou na descrição dos cavalos que aparecem na obra.


Blyton e Gillian em Green Hedges


Blyton na década de 60 em Green Hedges, a sua casa


Imagem rara de 1968, poucos meses antes de falecer. ©Rolf


O DVD com o filme já está dosponível na amazon no seguinte link:
http://www.amazon.co.uk/Enid-Amazon-co-uk-Exclusive-Helena-Bonham-Carter/dp/B002L7O7PE/ref=pd_sim_b_5
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Al_Tereg



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MensagemColocada: Sex Jan 22, 2010 3:19 pm    Assunto: Responder com Citação

Já consegui sacar o filme (como não está à venda em Portugal, e duvido que venha a estar, julgo que não estou a cair no pecado de incentivo à pirataria Razz). Provavelmente não terei oportunidade de o ver ainda hoje, mas, assim que o vir, darei aqui nota da minha opinião.
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rui sousa



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MensagemColocada: Sex Jan 22, 2010 8:33 pm    Assunto: Responder com Citação

estas críticas ao filme fazem-me lembrar de outro telefilme da BBC. «The life and death of peter Sellers», que mostra o actor, na minha opinião, como se fosse uma pessoa maquiavélica e contra tudo e todos, e viciado em mulheres. (gravei este filme da RTP, deu há alguns meses)
E doutro, «Wilde», que mostrava o escritor Oscar Wilde como uma pessoa que a única coisa que fez em toda a vida foi ser perseguido por ser homossexual!

A BBC pode ser muito boa a fazer comédia, mas estes telefilmes, não me cheiram...
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Al_Tereg



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MensagemColocada: Seg Jan 25, 2010 8:16 pm    Assunto: Responder com Citação

Já vi o referido filme.
Algo difícil de acompanhar nalguns pormenores, porque a pronúncia britânica é um pouco cerrada e o filme não tem legendas, claro. Aliás, mesmo a edição em DVD que está à venda na Amazon não tem sequer legendas em inglês e, curiosamente, numa das críticas ao filme, na própria página da Amazon, um casal australiano, consequentemente de língua inglesa, dá nota negativa ao filme queixando-se da falta de legendas em inglês, porque, segundo eles, sendo octogenários, têm dificuldades de audição e a música sobrepõe-se por vezes bastante às vozes. Smile

No entanto, deu para seguir perfeitamente a história e verificar duas coisas: a primeira é que se trata de um excelente filme, como é timbre da BBC, com uma extraordinária interpretação de uma grande actriz: Helena Bonham Carter; a segunda é que, realmente, a personagem que é apresentada da Enid Blyton é absolutamente odiosa! E dificilmente as tímidas explicações sobre o abandono da família por parte do pai (que ela adorava e sempre mitificou durante toda a vida), servem de desculpa para um carácter tão frio e hipócrita.

Repito, no entanto, aquilo que disse anteriormente: é difícil acreditar que ela tenha sido assim tamanha megera! Julgo que o filme terá optado, para efeitos dramáticos, por exacerbar essa faceta, explorando o contraste entre a figura querida e idolatrada pelas crianças e a mulher fria, ambiciosa e mãe distante e ausente que, segundo o filme, ela seria na vida privada. De um ponto de vista artístico é muito mais interessante, convenhamos, explorar essas contradições da alma humana do que retratar uma adorável senhora dona de casa, excelente mãe e amiga de todas as crianças - o que daria, mais do que provavelmente, um filme chato, sem interesse e sem qualquer intensidade dramática.

Contudo, terá sido esta faceta de frieza, hipocrisia, e principalmente da mãe distante, uma total invenção para efeitos dramáticos? Lamentavelmente, julgo que não. Julgo que essa faceta, particularmente a da mãe distante, realmente existiria.
Ao que li, a Enid descrita no filme terá sido em grande parte inspirada, num livro autobiográfico escrito pela própria filha mais nova, Imogene, chamado "A Childhood at Green Hedges” (Green Hedges era a casa da Blyton). Fiquei também com alguma curiosidade em ler o referido livro. De qualquer forma, ainda que a própria versão da filha possa não ser a mais isenta, por ter acumulado alguns ressentimentos relativamente à mãe, a verdade é que, se ela se queixa, alguma razão certamente terá.

De facto, pensando bem, se prestarmos atenção aos livros EB, as pistas estão todas lá! Uma coisa que de algum modo me chocou, nas minhas recentes "releituras" das aventuras da Blyton, foi ter-me apercebido do modo como os adultos estão ausentes em praticamente todos os livros da escritora. Enquanto pai e adulto, confesso que aquilo me deixou algo estupefacto. Na maior parte dos livros, as crianças vivem em colégios internos o ano inteiro e, nos raros momentos em que poderiam estar com a família, esta fica aliviadíssima por poder despachar rapidamente as "annoying children" para o mais longe possível, mesmo sabendo de antemão que eles se costumam meter nas mais horripilantes aventuras, enfrentando gangues de terríveis criminosos com os quais têm de lidar sozinhas ou, na melhor das hipóteses, com a ajuda de um rafeiro! Ou seja, as crianças são deixadas completamente à sua sorte, embora isso seja apresentado (o que nem será totalmente descabido) como uma coisa positiva na formação de carácteres fortes e responsáveis por parte das crianças, sendo que, nalguns casos, como é o exemplo do Júlio, elas são quase adultos à força.

Os pais ou desapareceram - é incrível a quantidade de órfãos nos livros da EB - ou são pessoas totalmente ausentes e ocupadas com coisas muito importantes, pelo que não têm qualquer tempo, e muito menos paciência, para aturar os miúdos, como é o caso do Tio Alberto. E, mesmo quando são apresentados como pessoas carinhosas, como a Tia Clara, acabam sempre por ver com alívio a partida das crianças. Neste caso ainda com menos desculpas: a dita senhora nem sequer trabalha, tem uma cozinheira em permanência (que tem mais paciência para as crianças do que ela própria, diga-se), e, nos raros momentos em que está com a filha, despacha-a para longe com os primos e o cão para se pôr do lado do marido, que esse sim, tem de ser tratado como uma criança, caso contrário esquece-se de comer. Razz
E que dizer da Sra. Mannering? Apresentada como uma querida, que, coitada, é obrigada a não estar com os filhos, porque, sem marido, é obrigada a prover o seu sustento trabalhando, mas que, quando os miúdos chegam de férias, são logo despachados para longe, porque há uma prima com escarlatina que ela tem de cuidar, o que é muito mais prioritário do que tratar dos próprios filhos, claro. Razz
Curiosamente, nesta série (Aventura), aparece o único adulto que me lembro que realmente confraterniza e se entende com as crianças: Bill (Jaime) Smuggs (ou Cunningham), embora mesmo esse, dê sempre prioridade ao bem estar Sra. Mannering, com quem se vem a casar, mandando as crianças sozinhas para montanha com um guia incompetente que nem sequer entende inglês, porque tem de ficar a cuidar do pé torcido da futura noiva (ainda nem lhe é nada nesse livro). Razz

Enfim, os exemplos são intermináveis! Nem é que os todos os adultos sejam maus (muitos deles são-no: como os bandidos e alguns padrastos), mas vivem num mundo à parte, de coisas importantes, o que não lhes deixa qualquer tempo para as crianças. Curiosamente, na minha opinião, é exactamente aqui que reside toda a magia dos livros da EB para as crianças: é que elas vivem absolutamente sozinhas, num mundo apenas de crianças e onde os adultos fazem meramente parte do cenário. E isto é fascinante para qualquer criança!

Eu sei que também temos de situar os livros na época e no local em que foram escritos. Estamos perante uma sociedade inglesa pós-vitoriana em que era de facto a norma, pelo menos da parte das pessoas com posses, deixar as crianças ser educadas por nannies enquanto mais pequeninas e colocá-las a estudar em colégios internos assim que ficavam maiorzinhas. E isso era considerado positivo para a severa educação que se achava ser conveniente para as crianças. Claro que isso faz muita confusão nos dias de hoje, em que as preocupações com as crianças são tão constantes - provavelmente em exagero até (não que eu ache que uma educação vitoriana seja a ideal, mas o excesso de protecção actual também não me parece o mais indicado para criar personalidades fortes e independentes). E mais confusão faz para um leitor de Portugal, onde nunca houve a prática generalizada de colocar os filhos em colégios internos.
No entanto, isto pode desculpar em parte a Blyton. Se é verdade que ela era uma mãe fria e distante, não seria talvez muito diferente de muitas das mães inglesas da época. Mas isso não deixa de ser um contraste com a imagem da autora que amava e compreendia as crianças e é essa contradição que o filme explora. No filme ela é apresentada como gostando e interessando-se genuinamente pelos seus pequenos fãs, enquanto se desinteressa quase totalmente pelas próprias filhas.

Passemos à frente da faceta da Enid que engana o marido e que ainda o obriga a ser ele a assumir-se como adúltero em tribunal se quiser manter o direito de ver as filhas (direito esse que posteriormente lhe sonega), e ainda arranja maneira que ele seja despedido do trabalho. Shocked
Como diz alguém numa crítica ao filme, ela é apresentada como uma verdadeira bruxa com P grande! Laughing

Falemos de outra faceta mais simpática e curiosa da personalidade da Enid que é apresentada no filme, que é o facto de, em certa medida, ela se ter mantido sempre em parte uma criança. Um pouco uma menina egocêntrica que amua sempre que as coisas vão contra os seus desejos, o que não deixa de estar de acordo com a personagem da Zé, que a própria autora assumia como sendo um pouco o retrato dela própria. A diferença é que a Zé, apesar do mau feitio, no fundo, era uma excelente pessoa! A dúvida aqui é apenas a seguinte: também a Enid era, no fundo, uma excelente pessoa, ou gostaria apenas de ser no fundo uma excelente pessoa e por isso se revia na Zé? Smile

Para finalizar deixo-vos com uma passagem do filme que acho reveladora da EB enquanto escritora. Ela está a ser entrevistada na rádio e o entrevistador pergunta se os livros dela não estarão um pouco antiquados, ao que ela responde:
«Só me importam as crianças e elas sempre adorarão os meus livros, porque eu entendo o que elas querem: eu conheço tudo sobre os sítios secretos para onde elas gostam de escapar. Acho que isso nunca mudará!»
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Popeye



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MensagemColocada: Seg Jan 25, 2010 8:32 pm    Assunto: Responder com Citação

Óptimo post Al_Tereg.
Assim já sei ao que vou quando ver (se ver) o filme.
É mesmo pena que o filme não tenha legendas.
Aquela pronúncia nalguns diálogos rápidos do filme, não vai ajudar nada.
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Alguém



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MensagemColocada: Ter Jan 26, 2010 12:30 am    Assunto: Responder com Citação

Excelente análise, Rui! Smile

Al_Tereg escreveu:
(...) E dificilmente as tímidas explicações sobre o abandono da família por parte do pai (que ela adorava e sempre mitificou durante toda a vida) (...)]


Na série "Aventura" o papel desempenhado por Jaime Cunningham encarna perfeitamente a figura do "pai" inexistente e amado pelas crianças. Maria da Luz chega a afirmar que tratá-lo por "pai" adquire um sabor muito especial (ou qualquer coisa assim). Ou seja, poderemos inferir que EB projecta a adoração que ela própria sentia pelo pai ausente na relação que os pequenos têm com Jaime, figura carinhosa, protectora e ao mesmo tempo solitária?

Essa descompensação emocional que leva à busca incessante do pai é aliás o grande leitmotiv de outra série - a Mistério-Barney - em que só se atinge o ponto de equilíbrio quando Chico finalmente encontra o pai.
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rui sousa



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MensagemColocada: Qua Jan 27, 2010 12:22 am    Assunto: Responder com Citação

Vendo dessa maneira o filme não parece ser muito mau...

Um dia destes deve passar na RTP, já que eles têm a chancela da BBC em entretenimento.
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bonecadeporcelana



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MensagemColocada: Qua Jun 16, 2010 5:23 pm    Assunto: Responder com Citação

Podíamos enviar mails à RTP a pedir que passassem o filme.
Quando eu tinha 15 anos, telefonei-lhes e pedi que não deixassem de dar a série "Veterinário de Província" e eles atenderam o meu pedido.
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green man



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MensagemColocada: Qua Jun 30, 2010 7:37 pm    Assunto: Responder com Citação

Vou mandar vir. Podem ver o trailer aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=lItySiGipuQ

Fico contente por ela ter sido uma personagem controversa.
Estou cansado de gente 'boazinha'...
Wink
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green man



Registrado em: 19 Ago 2006
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MensagemColocada: Sáb Jul 10, 2010 4:26 pm    Assunto: Responder com Citação

Já vi o filme também.

A senhora não era, de facto, perfeita como ser humano.

Muito traumatizada pelo abandono do pai, essa faceta ditou uma grande parte da personalidade da escritora e também nos seus livros que, tal como o Al_Tereg disse, mostravam, salvo raras excepções, pais non existentes ou ausentes. A escrita foi também um refúgio da própria vida que não foi muito feliz e deu-lhe uma falsa maternidade para com os seus jovens leitores que eram para ela muito mais importante do que a sua própria família. Considero-a principalmente muito solitária. Solidão essa que é causada pela própria quando se afasta e se fecha no seu mundo.
Isso, juntamente com o facto de ter sido forçada a ser independente, torna-a uma adulta mimada, egoista e talvez neurótica.

O facto da personagem ser representada pela actriz Helena Bonham Carter, que tem no seu reportório um vasto leque de personagens lunáticas, torna-a também uma personagem estranha. No final mesmo, muito estranha, até porque a Enid Blyton morreu demente.

Gostei do filme apesar de não ter ADORADO o filme. Acho que deu demasiada importância à faceta má da personagem e esqueceu-se um pouco dos livros. Eu gostaria de ter visto mais do seu processo criativo e de como apareceram as diversas colecções. Acho que o filme ganharia com isso porque quem vê o filme são os seus fãs, que adoram os seus livros e que, apesar de terem interesse na pessoa tem o particular interesse nos livros e nas personagens e lugares dos livros. Essa parte foi pouco abordada.

De resto é o retrato de uma pessoa perturbada e só. Perturbação essa que a tornou genial no que escreveu e originou o legado existente hoje em dia e com a importância que continua a ter.

É sempre decepcionante ver que a vida de alguém famoso ou é completamente diferente ou que não tem a magia que lhe imaginamos. No entanto é bastante interessante conhecer essa vida se conseguirmos separar a pessoa e o seu trabalho.

Este filme não mudou em nada a visão que tenho sobre os livros que são, também, o meu mundo de fantasia.


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